Prerrogativas não são negociáveis

 

A recente decisão no Supremo Tribunal Federal (STF) reacendeu um debate crucial sobre as prerrogativas da advocacia. A exigência de lacre de celulares de advogados durante sessões públicas representa um retrocesso institucional que merece atenção e firme posicionamento. Advogar é uma função essencial à Justiça, e qualquer medida que restrinja ou dificulte o exercício profissional impacta diretamente o direito de defesa do cidadão.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem se manifestado de forma unânime e enérgica contra essa medida, compreendendo a gravidade do precedente que pode ser aberto. As prerrogativas da advocacia não são meros privilégios; são ferramentas indispensáveis para que os profissionais do Direito possam exercer seu trabalho com liberdade, autonomia e independência. O uso do celular, por exemplo, é um instrumento de trabalho essencial na rotina dos advogados, permitindo acesso rápido a informações, legislação e comunicação com seus clientes.

O Celular como Ferramenta de Trabalho e a Violação das Prerrogativas

A imposição do lacre de celulares ignora a realidade da prática jurídica moderna. Advogados utilizam seus dispositivos para consultar documentos, jurisprudência, comunicar-se com clientes e até mesmo acompanhar o andamento de sessões virtuais e híbridas, práticas já consolidadas inclusive no próprio STF. Exigir o lacre é, portanto, um cerceamento inaceitável de sua atuação profissional e uma clara violação das prerrogativas da advocacia previstas no Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94).

O STF, como guardião da Constituição Federal, tem o dever de zelar pelas garantias fundamentais, e não de promover ações que as enfraqueçam. A medida adotada pelo ministro Cristiano Zanin pode servir de precedente perigoso para outros tribunais, comprometendo o livre exercício da advocacia em todo o país. A OAB, ciente de seu papel na defesa dessas garantias, orienta os advogados a não se submeterem a essa exigência e a comunicarem imediatamente qualquer tentativa de cerceamento.

A Defesa Unificada das Prerrogativas da Advocacia

A reação da OAB, em todas as suas instâncias, demonstra a unidade da classe em defesa das prerrogativas da advocacia. A recomendação para que os advogados não participem de atos onde essa exigência persistir e o chamado para que todos os colegas presentes se levantem em defesa das prerrogativas reforçam a importância da união e da vigilância constante. Medidas formais já foram adotadas, inclusive com a possibilidade de buscar instâncias internacionais caso a decisão não seja revista.

Em um cenário de crescentes tensões institucionais, reafirmar a essencialidade das prerrogativas da advocacia é fundamental. Restringir a atuação dos advogados não atinge somente a classe, mas enfraquece o próprio sistema de Justiça e o direito fundamental de defesa de cada cidadão. As prerrogativas não são concessões negociáveis; são pilares do Estado Democrático de Direito e garantias da sociedade como um todo.

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