Lei de Cotas para mulheres na política: estamos avançando ou retrocedendo?

 

A Lei de Cotas para mulheres na política visa corrigir desigualdades históricas e garantir maior participação feminina nos cargos eletivos. Embora a cota de gênero exija que partidos e federações destinem no mínimo 30% das vagas ao gênero oposto, a realidade ainda apresenta desafios. Em 2024, as mulheres conquistaram apenas 17,9% dos cargos eletivos, um número abaixo da representação feminina na sociedade brasileira, que é superior a 50%.

Apesar das tentativas de mudança, o cumprimento da lei tem sido problemático. Segundo dados do TSE, partidos como o PT e o PSOL não cumpriram a cota em diversos municípios, o que levanta questões sobre a aplicação eficaz da legislação. A prática de apresentar candidaturas masculinas em municípios com poucas vagas tem sido identificada como uma manobra para contornar as obrigações da cota sem infringir a lei.

Além disso, a violência política contra mulheres também tem sido um obstáculo. Em 2024, as denúncias aumentaram drasticamente, com um crescimento de 484% em relação ao ano anterior, passando de 69 para 403 casos. A violência política contra a mulher é definida como qualquer ação ou omissão destinada a impedir ou restringir seus direitos políticos, algo que ainda persiste de forma significativa no cenário político brasileiro. Fatores culturais, estruturais e a ineficiência na aplicação de medidas são apontados como principais causas desse aumento.

A deputada Rosangela Gomes, que lidera a luta contra a violência política, destaca o avanço de alguns partidos, como o Republicanos, que, após a implementação do Observatório Nacional de Combate à Violência Política Contra a Mulher, aumentou consideravelmente o número de mulheres eleitas em 2024.

Apesar dos avanços, o especialista Leonardo Pantaleão acredita que as cotas devem ser vistas como uma medida transitória para corrigir desigualdades estruturais. A inclusão feminina não deve ser um jogo de números, mas um processo genuíno que fortalece a democracia. A presença das mulheres em cargos de liderança está ligada a uma maior melhoria em áreas como saúde, educação e serviços públicos, conforme estudos realizados em outros países.

A sociedade tem um papel crucial na cobrança por um cumprimento legítimo da lei, para que a inclusão das mulheres na política não se torne uma medida superficial, mas sim uma transformação real no processo de tomada de decisões políticas no Brasil.

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