A proposta do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros pode gerar efeitos que vão muito além do comércio exterior. Em reportagem da Times Brasil | CNBC, especialistas apontam que a medida tende a estimular estratégias de internacionalização de empresas nacionais e aumentar a procura por mecanismos migratórios voltados a investidores e executivos interessados em estabelecer presença permanente no mercado americano. Nesse contexto, o advogado e sócio do Godke Advogados, Fernando Canutto, analisou os possíveis impactos da medida sobre a mobilidade internacional de empresários brasileiros.
O debate ocorre em meio à política comercial defendida pelo presidente Donald Trump, marcada pela utilização de tarifas como instrumento de proteção da indústria americana. Segundo a reportagem, empresários que atualmente dependem das exportações para os Estados Unidos passaram a avaliar alternativas para reduzir os impactos das novas barreiras comerciais, incluindo a abertura de operações locais e a ampliação de investimentos diretos em território norte-americano.
Nesse cenário, programas migratórios vinculados a investimentos ganharam destaque. Entre eles está o visto EB-5, que possibilita a obtenção do Green Card mediante aportes financeiros em projetos produtivos e geração de empregos. Modalidades voltadas à transferência de executivos e à instalação de operações empresariais também tendem a despertar maior interesse de companhias brasileiras que buscam preservar competitividade em um mercado estratégico.
Apesar desse movimento, Fernando Canutto destaca que as novas tarifas não alteram diretamente as regras migratórias dos Estados Unidos. Segundo o especialista, é importante diferenciar políticas comerciais de políticas de imigração. Embora o Brasil já enfrente um ambiente migratório mais rigoroso nos últimos anos, as restrições relacionadas à entrada e permanência de estrangeiros não possuem vínculo direto com a discussão tarifária atualmente em curso. “O Brasil já vem sofrendo restrições migratórias há algum tempo, mas não é algo relacionado às tarifas. Essas são questões que atingem única e exclusivamente importações”, explicou ao veículo.
A análise reforça que o principal impacto da medida tende a ocorrer na estratégia empresarial. Diante da possibilidade de aumento dos custos para exportação, muitas companhias podem concluir que a presença física no mercado consumidor representa uma alternativa mais eficiente para manter participação comercial e reduzir riscos associados a futuras barreiras tarifárias.
Além dos efeitos para empresas brasileiras, especialistas apontam que o tarifaço também poderá produzir consequências para a própria economia americana. Diversos produtos brasileiros integram cadeias produtivas relevantes nos setores industrial, mineral, siderúrgico e agropecuário. Dessa forma, o aumento dos custos de importação pode ser parcialmente repassado a consumidores e empresas dos Estados Unidos, ampliando os efeitos econômicos da medida para ambos os lados da relação comercial.
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