A comercialização de atestados médicos falsos em aplicativos de mensagens voltou a chamar atenção após reportagem da Folha de S.Paulo revelar a existência de grupos que oferecem documentos por valores a partir de R$ 40. Os anúncios circulam em redes sociais e direcionam usuários para comunidades no WhatsApp e Telegram, onde são vendidos atestados, receitas médicas, laudos e outros documentos de saúde supostamente aptos a justificar ausências no trabalho. Nesse contexto, o advogado trabalhista Fernando Moreira analisou os riscos que a prática representa para trabalhadores e empresas.
Segundo a reportagem, os vendedores oferecem documentos com carimbos, números de registro profissional e informações que simulam autenticidade. Em muitos casos, os grupos exibem relatos de supostos compradores e comprovantes de pagamento para transmitir credibilidade aos usuários interessados. Além dos atestados, também são anunciadas receitas para medicamentos controlados e outros documentos médicos obtidos sem qualquer avaliação clínica.
O crescimento desse mercado clandestino preocupa não apenas autoridades de saúde, mas também empregadores. Isso porque a apresentação de documentos falsos pode comprometer a relação de confiança que sustenta o vínculo empregatício e gerar consequências severas para o trabalhador. A legislação trabalhista brasileira considera a utilização de documentos fraudulentos uma falta grave passível de sanções disciplinares.
Segundo Fernando Moreira, a apresentação de atestado falso pode justificar a dispensa por justa causa, especialmente quando comprovada a intenção do empregado de obter vantagem indevida ou justificar ausência de forma fraudulenta. O especialista ressalta que a conduta viola deveres essenciais de boa-fé e confiança que regem a relação de emprego, podendo gerar não apenas consequências trabalhistas, mas também repercussões na esfera criminal.
Do lado das empresas, o desafio está em equilibrar mecanismos de verificação com respeito à privacidade dos trabalhadores. A identificação de irregularidades costuma envolver conferência de informações, validação da origem dos documentos e contato com os profissionais ou instituições indicados nos atestados, sempre observando os limites legais aplicáveis.
A reportagem também evidencia o grau de profissionalização dessas operações, que utilizam tabelas de preços, atendimento estruturado e sistemas de pagamento para ampliar o alcance dos serviços ilegais. O cenário demonstra como plataformas digitais passaram a ser utilizadas para facilitar práticas fraudulentas que impactam tanto a saúde pública quanto as relações de trabalho.
Mais do que uma infração individual, o problema reforça a necessidade de conscientização sobre os riscos jurídicos envolvidos na utilização de documentos falsos. Para empresas e trabalhadores, o episódio serve como alerta sobre a importância da integridade documental e da preservação da confiança nas relações profissionais.
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