As recentes crises envolvendo o Banco Master e o Banco Digimais colocaram o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no centro do debate sobre a estabilidade do sistema financeiro brasileiro. As suspeitas de fraudes bilionárias e o risco de um impacto relevante sobre o fundo em 2026 aumentaram a preocupação com a eficiência da fiscalização. Em entrevista ao Times Brasil | Licenciado Exclusivo CNBC, o advogado Fernando Canutto analisou os principais desafios regulatórios.
Nesse contexto, o especialista afirmou que o Brasil possui uma das estruturas regulatórias mais robustas do mundo. No entanto, ele entende que os casos recentes revelam falhas na coordenação entre os órgãos responsáveis pela supervisão do mercado.
Fundo Garantidor de Crédito e os desafios da fiscalização
Segundo Fernando Canutto, Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda atuam de forma segmentada. Enquanto isso, o mercado financeiro evoluiu rapidamente e passou a integrar bancos, gestoras e fundos de investimento em estruturas cada vez mais complexas.
Além disso, essa falta de integração dificulta a identificação de riscos que envolvem diferentes empresas de um mesmo grupo econômico. Para o especialista, a fiscalização perde eficiência quando cada órgão observa apenas uma parte das operações.
Integração entre Banco Central e CVM
Segundo Canutto, os grandes players financeiros passaram a combinar diferentes atividades para aumentar a eficiência e ampliar as oportunidades de negócio.
Por outro lado, os mecanismos de supervisão não acompanharam essa transformação. O advogado afirma que a ausência de uma atuação coordenada impede uma visão completa dos riscos sistêmicos. Consequentemente, fraudes e irregularidades podem permanecer ocultas por mais tempo.
Crises reforçam necessidade de mudanças
As investigações envolvendo Banco Master e Banco Digimais reacenderam o debate sobre mudanças na estrutura de supervisão do mercado financeiro.
Nesse sentido, especialistas defendem maior compartilhamento de informações entre Banco Central e CVM. Além disso, propõem aperfeiçoar o monitoramento de fundos de investimento e conglomerados financeiros.
Para Fernando Canutto, uma fiscalização integrada aumenta a capacidade de identificar operações suspeitas antes que elas provoquem impactos mais amplos.
Segurança do mercado depende de supervisão eficiente
Para o especialista, preservar a credibilidade do sistema financeiro exige mais do que normas rigorosas. Também é necessário fortalecer a cooperação entre os órgãos reguladores e modernizar os mecanismos de fiscalização.
Ao mesmo tempo, uma supervisão integrada aumenta a confiança dos investidores, protege o mercado de capitais e reduz riscos sistêmicos.
Por fim, o debate sobre o Fundo Garantidor de Crédito vai além das crises recentes. Para Fernando Canutto, os episódios mostram que a evolução do mercado financeiro exige um modelo de fiscalização igualmente moderno, coordenado e capaz de acompanhar estruturas cada vez mais complexas.
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