Condução direta de presos por PM gera polêmica em SP

A condução direta de presos pela Polícia Militar (PM) para presídios, sem a necessidade de apresentação prévia em delegacias, começou a ser testada em São Paulo e já provoca reações. A medida, defendida pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), tem como objetivo agilizar os trâmites do sistema penal, mas enfrenta forte oposição de delegados e juristas, que apontam inconstitucionalidade na iniciativa.

Antes da mudança, o procedimento padrão envolvia levar o preso à delegacia, onde a prisão era formalizada. Em seguida, ele passava por exame de corpo de delito e só depois era encaminhado ao presídio. Agora, com o novo modelo, a etapa da delegacia é suprimida, embora o corpo de delito ainda seja exigido. A SSP justifica a medida com base em experiências semelhantes já implementadas nos estados de Santa Catarina e Paraná.

No entanto, a Associação dos Delegados de Polícia Civil de São Paulo e especialistas em Direito criticam duramente a proposta. Para eles, a condução direta de presos viola o artigo 144 da Constituição Federal, que delimita claramente as atribuições das polícias Civil e Militar.

Segundo o advogado André Pereira, essa mudança interfere na lógica do sistema de persecução penal. “A Polícia Civil é responsável pela apuração das infrações penais. Quando a Polícia Militar ultrapassa sua função de patrulhamento, isso fere o devido processo legal”, afirma. Ele ainda ressalta que medidas como essa abrem brechas para a defesa de criminosos questionarem a legalidade das prisões.

Para os críticos, o desequilíbrio institucional pode enfraquecer a solidez do sistema penal. Já para os defensores da medida, trata-se de uma evolução operacional que visa maior eficiência e economia de recursos. O debate promete se intensificar à medida que os testes avancem e os impactos da nova política forem medidos.

A discussão sobre a condução direta de presos evidencia a necessidade de equilíbrio entre celeridade no sistema penal e o respeito às garantias constitucionais. O que está em jogo não é apenas um novo procedimento logístico, mas os pilares da legalidade e do devido processo no Brasil.

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