Hugo Calderano, um dos maiores nomes do tênis de mesa mundial, teve seu visto para os Estados Unidos recusado, o que o impediu de participar de um campeonato importante. O motivo por trás dessa decisão não está ligado ao seu desempenho esportivo ou histórico pessoal, mas sim a uma viagem que ele fez a Cuba em 2023. Essa situação expõe como as complexas relações geopolíticas podem impactar a vida de cidadãos, mesmo atletas de alto rendimento. Muitos se perguntam: por que uma simples viagem de competição poderia gerar tal impedimento?
A Conexão Cuba e a Restrição de Visto para os EUA
Calderano se enquadra normalmente nos requisitos para viagens internacionais e frequentemente viaja com facilidade. Contudo, sua situação mudou drasticamente após a viagem a Cuba em 2023. Naquela ocasião, ele participou do Campeonato Pan-Americano e de um evento de qualificação para os Jogos Olímpicos de Paris-2024. A questão central é que Cuba, um país com relações geopolíticas historicamente tensas com os EUA, foi incluída em janeiro de 2021 na lista do governo americano que enumera “países patrocinadores de terrorismo”.
Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional com foco em migração nos EUA, esclarece a base legal para a recusa do visto de Hugo Calderano. Ele explica que a “Visa Waiver Program Improvement and Terrorist Travel Prevention Act determina que quem viajou a Cuba após essa data não é elegível para a isenção de visto (ESTA) e deve solicitar visto B-1/B-2 via consulado”. Isso significa que, ao visitar Cuba, Calderano automaticamente perdeu o direito de usar o ESTA, um programa que facilita a entrada de cidadãos de certos países nos EUA sem a necessidade de um visto tradicional. Assim, a viagem a Cuba criou uma barreira para seu visto EUA Cuba.
O Processo de Visto Tradicional e Implicações para Atletas
É crucial entender que essa medida não proíbe a viagem aos EUA, mas sim altera o tipo de visto necessário. “Isso não é uma proibição de viagem aos EUA, apenas passa-se a exigir a obtenção de visto B1/B2, a mesma exigência aplicada aos brasileiros”, pontua Fernando Canutto. Isso significa que, para Calderano, e para qualquer outra pessoa na mesma situação, o caminho para entrar nos Estados Unidos se torna o processo tradicional de solicitação de visto.
Este procedimento envolve agendar uma entrevista em um consulado americano e submeter-se a uma avaliação individual detalhada. A embaixada ou consulado fará questionamentos sobre a intenção da viagem, os vínculos com o país de origem, o histórico de viagens, e outras informações que ajudem a determinar a elegibilidade do solicitante. O caso de Hugo Calderano serve como um lembrete vívido de como as políticas externas e listas de países podem ter consequências práticas, mesmo para figuras públicas e atletas, afetando suas carreiras e planejamentos.
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