Apostas entre mulheres: riscos para o orçamento familiar

As apostas online já fazem parte da realidade de mais da metade das mulheres brasileiras, seja pelo contato direto com as plataformas ou pela convivência com familiares que apostam. Segundo a pesquisa “Mulheres & Bets”, 42% das entrevistadas afirmam que apostam ou já apostaram, enquanto outras 12% convivem com alguém da família que aposta. Juntos, os grupos representam 54% das entrevistadas.

O levantamento também mostra que 21,5% das apostadoras apontam a busca por renda extra como principal motivação, enquanto 19% apostam pela expectativa de ganhar dinheiro rapidamente. Entre elas, 72% têm filhos, o que amplia o potencial impacto de problemas financeiros decorrentes do comportamento compulsivo.

Em matéria publicada pela Veja, Marcelo Robalinho, sócio do RA Law e especialista em Direito Civil, com atuação em casos relacionados à ludopatia e ao uso indevido de imagem em bets, explica que as consequências podem ultrapassar a pessoa que aposta quando o comportamento passa a afetar terceiros.

As consequências podem alcançar patrimônio e família

Nesse contexto, um quadro de ludopatia pode produzir efeitos em diferentes relações jurídicas. Segundo Robalinho, o comprometimento financeiro pode repercutir nas relações de trabalho, inclusive com afastamentos, além de gerar disputas entre cônjuges, discussões sobre administração e divisão de bens, dificuldades para manter as despesas familiares e conflitos sucessórios.

Além disso, apenas 13% das mulheres que apostam ou já apostaram afirmam ter procurado algum tipo de ajuda. O dado chama atenção porque, quanto mais tarde o problema é identificado, maior pode ser a extensão de seus efeitos sobre patrimônio, renda e relações familiares.

Análise jurídica precisa considerar cada caso

Para Robalinho, a resposta jurídica não deve partir da presunção de incapacidade ou da retirada da autonomia de quem aposta. A análise precisa considerar, individualmente, quais direitos foram afetados e quais mecanismos podem ser utilizados para preservar o patrimônio e as relações familiares.

Por outro lado, a expansão das bets exige uma abordagem que vá além das perdas financeiras. As possíveis repercussões trabalhistas, patrimoniais e familiares mostram que a questão pode envolver diferentes áreas do Direito e demanda avaliação específica conforme as circunstâncias de cada situação.

Dessa forma, o avanço das apostas entre mulheres também amplia uma discussão jurídica sobre os efeitos da ludopatia e a necessidade de identificar, com antecedência, os impactos que podem alcançar não apenas quem aposta, mas também seu patrimônio e seu núcleo familiar.

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