Crise no STF: É preciso “investigar, apurar e, se for o caso, afastar quem precisa ser afastado”, diz criminalista Euro Bento Maciel

A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal e os desdobramentos do caso Master ampliaram a discussão sobre a necessidade de apuração das condutas sob suspeita e sobre os mecanismos institucionais para lidar com eventuais irregularidades. Para o advogado criminalista Euro Bento Maciel Filho, o momento exige investigação e análise individualizada antes de qualquer conclusão sobre responsabilidades ou afastamentos.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o criminalista também avaliou que a crise abre espaço para uma discussão mais ampla sobre o funcionamento do Supremo, incluindo a duração dos mandatos dos ministros e o modelo de indicação para as vagas na Corte. Na avaliação de Maciel Filho, a forma de escolha dos integrantes do STF também deveria ser debatida sob uma perspectiva institucional.

Outro ponto analisado foi a atuação do presidente do STF, Edson Fachin, diante das diferentes frentes que passaram a envolver a Corte, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal. Segundo o advogado, a complexidade aumentou à medida que o caso deixou de se restringir ao ambiente interno do Supremo. Após receber as manifestações dos envolvidos, a expectativa é de que Fachin encaminhe a questão ao plenário para deliberação sobre eventual abertura de investigação.

Maciel Filho também considerou juridicamente possível o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal por decisão judicial, desde que exista fundamento para a medida. A análise, portanto, está relacionada à existência de elementos concretos que justifiquem uma intervenção dessa natureza, e não apenas à dimensão política da crise.

No caso Master, o criminalista afastou a ideia de que eventuais questionamentos envolvendo a chefia da Polícia Federal levariam automaticamente à nulidade de toda a investigação. Segundo ele, seria necessário demonstrar que houve interferência concreta no trabalho investigativo e prejuízo aos investigados. Caso a atuação da PF tenha ocorrido dentro da legalidade, uma eventual conduta individual de uma autoridade não produziria, por si só, a anulação de toda a apuração.

A avaliação reforça a importância de distinguir a apuração de responsabilidades individuais da validade dos atos praticados no curso de uma investigação. Nesse cenário, a análise concreta de eventual prejuízo torna-se elemento central para avaliar os efeitos jurídicos de possíveis irregularidades.

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