Cidadania de Portugal: Entenda regras que endurecem lei que afeta brasileiros

As novas regras para obtenção da cidadania portuguesa já provocam impactos diretos nos planos de milhares de brasileiros que vivem ou pretendem viver em Portugal. Em reportagem de O Globo, especialistas analisam as mudanças promovidas pela nova Lei da Nacionalidade, que ampliou exigências, alterou critérios de residência e tornou o processo mais rigoroso para imigrantes. Nesse contexto, o advogado internacionalista Marcial Sá avalia os reflexos jurídicos e estratégicos das alterações.

A principal mudança envolve o aumento do prazo mínimo de residência legal exigido para brasileiros solicitarem a cidadania portuguesa. O período passou de cinco para sete anos para cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), grupo do qual o Brasil faz parte. Além disso, a nova legislação altera a forma de contagem desse prazo, que agora considera apenas o período posterior à emissão da autorização formal de residência, desconsiderando etapas iniciais de regularização migratória.

O endurecimento das regras também afeta filhos de estrangeiros nascidos em Portugal e restringe modalidades específicas de obtenção da nacionalidade, como pedidos ligados à descendência sefardita. A mudança provocou uma corrida de brasileiros para protocolar processos antes da entrada em vigor da nova lei, aumentando significativamente a demanda em escritórios especializados e nos órgãos portugueses responsáveis pelos registros de cidadania.

Segundo Marcial Sá, os efeitos das alterações ultrapassam o campo migratório e alcançam diretamente estratégias patrimoniais, empresariais e tributárias de brasileiros que utilizavam Portugal como porta de entrada para a União Europeia. Para o especialista, o aumento do prazo exige reorganização jurídica mais cuidadosa durante o período de residência obrigatória, especialmente para empresários e investidores.

O advogado destaca ainda que, embora a abertura de empresas continue possível sem cidadania portuguesa, o novo cenário pode retardar vantagens práticas relevantes, como acesso facilitado a crédito, circulação plena no mercado europeu e planejamento sucessório internacional. Nesse contexto, a cidadania deixa de ser apenas um instrumento migratório e passa a integrar decisões estratégicas ligadas à mobilidade global e expansão empresarial.

As mudanças fazem parte de um movimento mais amplo de endurecimento das políticas migratórias em Portugal e ainda geram dúvidas sobre a aplicação prática das novas regras, especialmente para processos em andamento. Dessa forma, o novo modelo tende a redefinir o planejamento de brasileiros que viam a cidadania portuguesa como caminho de integração pessoal, patrimonial e econômica na Europa.

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