Saúde mental no trabalho: veja o que muda com as novas regras a partir desta terça-feira

As empresas brasileiras passaram a enfrentar novas exigências relacionadas à saúde mental no ambiente corporativo com a entrada em vigor da atualização da NR-1. Em reportagem do R7, especialistas analisam os impactos da norma, que passa a exigir a inclusão de fatores psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. Nesse contexto, a advogada trabalhista Naiara Insauriaga avalia os reflexos jurídicos e operacionais da medida.

A nova regulamentação determina que empresas passem a identificar, monitorar e mitigar riscos relacionados à saúde mental, incluindo situações como burnout, assédio moral, excesso de trabalho, metas abusivas e falhas estruturais de comunicação. Esses fatores deverão integrar o inventário de riscos ocupacionais ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos já previstos anteriormente.

A mudança ocorre em meio ao crescimento expressivo dos afastamentos previdenciários relacionados a transtornos mentais. Segundo dados citados na reportagem, a Previdência Social registrou mais de 546 mil benefícios concedidos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, número superior ao observado no ano anterior. Nesse cenário, o Ministério do Trabalho reforça que a organização das atividades laborais passou a ocupar papel central na prevenção de adoecimentos.

Segundo Naiara Insauriaga, os impactos da nova NR-1 vão além do simples cumprimento regulatório. Para a especialista, a expectativa é que a identificação e neutralização dos fatores de risco contribuam para redução dos afastamentos previdenciários e da judicialização relacionada a doenças ocupacionais de natureza psicológica.

A advogada também destaca que empresas deverão adotar ações estruturadas e contínuas, abandonando medidas pontuais de bem-estar sem efetiva integração à gestão corporativa. Isso inclui revisão de políticas internas, treinamento de lideranças, monitoramento de ambiente organizacional e implementação de mecanismos preventivos voltados à saúde emocional dos trabalhadores.

Além dos impactos jurídicos, a nova regra tende a influenciar diretamente indicadores de produtividade, retenção de talentos e clima organizacional. Nesse contexto, a saúde mental deixa de ser tratada apenas como benefício corporativo e passa a integrar formalmente a lógica de governança e compliance trabalhista das empresas brasileiras. Dessa forma, a atualização da NR-1 representa uma mudança estrutural na forma como organizações deverão lidar com riscos humanos dentro do ambiente de trabalho.

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