Vinte anos após a criação da Lei Maria da Penha, a preservação de provas continua sendo um aspecto relevante na investigação de casos de violência contra a mulher. A agilidade na denúncia e na busca por atendimento pode contribuir para documentar agressões e reunir elementos importantes para a apuração dos fatos.
Em participação no SBT News, a médica legista Carolina Daitx explicou que nem toda agressão deixa marcas visíveis no corpo. Sufocamentos, torções e empurrões, por exemplo, podem não apresentar sinais externos evidentes mesmo quando provocam consequências que podem ser documentadas posteriormente.
A ausência de marcas não elimina a possibilidade de prova
Nesse contexto, a avaliação médico-legal ganha importância. A inexistência de lesões aparentes não significa que uma agressão não possa ser investigada ou comprovada.
Segundo Carolina Daitx, diferentes elementos podem contribuir para a documentação do caso. Prontuários médicos, exames, laudos e fotografias podem registrar informações relevantes para a investigação. Mensagens trocadas por aplicativos também podem integrar esse conjunto de evidências.
Além disso, o atendimento médico pode permitir que determinadas informações sejam registradas enquanto ainda estão disponíveis. Por isso, a orientação é buscar assistência o quanto antes após uma agressão.
Preservação de provas exige rapidez
A passagem do tempo pode dificultar a documentação de determinados sinais e circunstâncias relacionados à violência. Dessa forma, a denúncia e o atendimento imediato podem ser importantes não apenas para a proteção da vítima, mas também para a preservação de elementos que poderão ser analisados posteriormente.
A perícia, nesse cenário, não se limita à identificação de marcas físicas. A análise pode considerar diferentes registros produzidos durante o atendimento e ao longo da investigação, formando um conjunto de informações que ajuda a esclarecer o que ocorreu.
Perícia integra investigação da violência
A discussão reforça a importância de compreender a perícia como parte da investigação de casos de violência contra a mulher. Ao lado da denúncia e do atendimento adequado, a documentação dos fatos pode contribuir para a preservação de evidências.
Dessa forma, a orientação destacada por Carolina Daitx é objetiva: diante de uma situação de violência, procurar atendimento e denunciar o quanto antes pode fazer diferença para preservar provas e permitir uma apuração mais completa do caso.
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