Pix ou Zelle? Entenda por que não faz sentido abandonar o sistema brasileiro

A discussão sobre Pix ou Zelle ganhou destaque após o governo dos Estados Unidos incluir o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos entre os pontos de atenção de sua agenda comercial em relação ao Brasil. Em reportagem da Forbes, especialistas analisam as críticas feitas ao modelo desenvolvido pelo Banco Central e explicam por que a comparação entre as duas plataformas exige cautela. Nesse contexto, o advogado Fabiano Jantalia avaliou as diferenças estruturais entre os sistemas.

Por que o Pix entrou na mira dos Estados Unidos?

Segundo a reportagem, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) questiona aspectos regulatórios do Pix. Entre os argumentos apresentados estão a obrigatoriedade de adesão por determinadas instituições financeiras, a gratuidade para pessoas físicas e a atuação simultânea do Banco Central como regulador e operador da infraestrutura.

Nesse contexto, autoridades americanas sustentam que essas características poderiam gerar desequilíbrios concorrenciais. Por outro lado, especialistas ouvidos pela Forbes afirmam que esses elementos fazem parte do desenho institucional criado para ampliar a inclusão financeira e aumentar a eficiência do sistema de pagamentos brasileiro.

Além da tecnologia, os sistemas têm objetivos diferentes

Na avaliação de Fabiano Jantalia, a comparação entre Pix ou Zelle exige cautela. Embora ambos permitam transferências instantâneas, eles surgiram em cenários completamente distintos.

Enquanto o Pix nasceu dentro da agenda de modernização do Banco Central, o Zelle foi desenvolvido pelos grandes bancos americanos para enfrentar a concorrência das fintechs. Por isso, os sistemas seguem lógicas regulatórias e comerciais diferentes.

Segundo o especialista, o Pix busca ampliar a inclusão financeira, estimular a concorrência e reduzir custos transacionais. o Zelle funciona como uma solução privada voltada à realidade do sistema bancário dos Estados Unidos.

Da mesma forma, a segurança segue modelos distintos

Outro aspecto destacado na reportagem envolve a segurança das operações. Segundo Fabiano Jantalia, o Pix foi estruturado com mecanismos regulatórios voltados à expansão segura da inclusão bancária.

Ao mesmo tempo, o especialista lembra que o Zelle enfrentou questionamentos relacionados a fraudes e ações coletivas movidas por usuários nos Estados Unidos. Dessa forma, as diferenças não se limitam à tecnologia empregada, mas também alcançam a governança e a supervisão dos sistemas.

Além disso, o impacto econômico ajuda a explicar o sucesso do Pix

A reportagem destaca que a ampla adoção do Pix gerou ganhos relevantes para consumidores e empresas. Segundo estimativas citadas pela Forbes, a redução dos custos transacionais pode representar uma economia próxima de R$ 200 bilhões por ano para a economia brasileira.

Além disso, o sistema substituiu operações como TED e DOC, acelerou o recebimento de recursos e reduziu custos para diversos setores produtivos. Consequentemente, o Pix passou a desempenhar papel relevante na dinâmica econômica do país.

Portanto, o debate vai além dos meios de pagamento

Para Fabiano Jantalia, a discussão não envolve apenas tecnologia. Na prática, o tema também passa por modelos de regulação financeira, concorrência e inclusão bancária.

Assim, a comparação entre Pix ou Zelle revela diferenças estruturais profundas. Mais do que avaliar dois sistemas de pagamento, o debate evidencia visões distintas sobre o papel do Estado, das instituições financeiras e da infraestrutura digital na economia contemporânea.

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