A operação da Polícia Civil de São Paulo que teve como alvo a produtora responsável pelo filme Dark Horse e entidades ligadas ao projeto gerou forte repercussão política e institucional. Em reportagem da Folha de S.Paulo, representantes da segurança pública rebateram críticas feitas pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo prefeito Ricardo Nunes, que classificaram a ação como uma possível perseguição política. Nesse contexto, o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), André Santos Pereira, defendeu a legalidade da investigação e a autonomia da atividade policial.
A investigação tem como foco um contrato de aproximadamente R$ 108 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo para implantação de pontos de acesso gratuito à internet em regiões vulneráveis da capital. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados à produtora Go UP Entertainment, responsável pelo longa-metragem sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de endereços vinculados ao instituto.
As críticas surgiram após aliados do ex-presidente associarem a investigação ao contexto eleitoral e à produção do filme. Flávio Bolsonaro chegou a afirmar que esperava não haver utilização de estruturas estatais para influenciar o processo eleitoral, enquanto Ricardo Nunes declarou enxergar elementos de perseguição política na operação.
Para André Santos Pereira, entretanto, a atuação da Polícia Civil ocorreu dentro dos parâmetros legais e processuais previstos no ordenamento jurídico. Segundo o delegado, a investigação segue o rito estabelecido pela legislação e tem como objetivo apurar eventuais irregularidades relacionadas à contratação pública, independentemente de posicionamentos políticos ou ideológicos dos envolvidos. “Ninguém está acima da lei”, afirmou à Folha.
O presidente da ADPESP também destacou que órgãos de controle já haviam identificado inconsistências relacionadas ao procedimento administrativo. Conforme apontado na reportagem, o Tribunal de Contas do Município registrou irregularidades no edital e chegou a recomendar a suspensão do certame, orientação que não foi acolhida pela administração municipal à época.
Na avaliação de André Santos Pereira, o debate deve permanecer concentrado nos fatos investigados e nos elementos produzidos pelas autoridades competentes. Para o delegado, a apuração de possíveis irregularidades em contratos públicos representa uma obrigação institucional dos órgãos de investigação e não pode ser confundida com disputas políticas circunstanciais.
O caso evidencia a crescente tensão entre investigações de interesse público e o ambiente político-eleitoral. Ao mesmo tempo, reforça a relevância da autonomia das instituições de controle e persecução penal na fiscalização de contratos públicos e na preservação da confiança da sociedade nos mecanismos de accountability do Estado.
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